Há quem diga

Há quem diga que todas as noites são de sonhos...
Mas há também quem diga nem todas...
Só as de verão...
Mas no fundo isso não tem muita importância...
O que interessa mesmo não são as noites em si...
São os sonhos...
Sonhos que o homem sonha sempre...
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano...
Dormindo ou acordado...

Willian Shakespeare

poema em forma de C para o Cesariny


"Estou num pedestal muito alto, batem palmas e depois deixam-me ir sozinho para casa. Isto é a glória literária à portuguesa.” Mário Cesariny.



O amor é o que nos resta de sagrado, dizia com convicção Cesariny
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia com convicção
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia com
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia
O amor é o que nos resta de sagrado,
O amor é o que nos resta de
O amor é o que nos resta
O amor é o que nos
O amor é o que
O amor é o
O amor é
O amor

O

O amor
O amor é
O amor é o
O amor é o que
O amor é o que nos
O amor é o que nos resta
O amor é o que nos resta de
O amor é o que nos resta de sagrado,
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia com
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia com convicção
O amor é o que nos resta de sagrado, dizia com convicção Cesariny


Não irei ao funeral porque o Cesariny não merece essa maldade.

Maat
In Arde o azul

O poeta e pintor Mário Cesariny,
principal representante do surrealismo português,
morreu na madrugada de 26.11.2006, em sua casa, em Lisboa, aos 83 anos.





Estrelas

São tão remotas as estrelas, que
apesar da vertiginosa velocidade da luz, elas se

apagam e continuam a brilhar durante séculos.

Morrem os mundos...Silenciosa e escura,
Eterna noite cinge-os. Mudas, frias,
Nas luminosas solidões da cultura
Erguem-se, assim, necrópoles sombrias...
Mas, pra nós, di-lo a ciência, além perdura
A vida, e expande as rútilas magias..
Pelos séc'los emfora a luz fulgura
Traçando-lhes as órbitas vazias.
Meus ideais! extinta claridade -
Mortos, rompeis, fantásticos e insanos,
Da minh'alma e revolta imensidade...

E sois ainda todos os enganos
E toda a luz e toda mocidade
Desta velhice trágica aos vinte anos..
Se acaso uma alma se fotografasse
De sorte que, nos mesmos negativos,
A mesma luz pusesse em traços vivos
O nosso coração e a nossa face
E os nossos ideais, e os mais cativos
De nossos sonhos...Se a emoção que nasce
Em nós, também nas chapas se gravasse,
Mesmo em ligeiros traços fugitivos:
Amigo, tu terias com certeza
A mais completa e insólita surpresa
Notando - deste grupo bem no meio -
Que o mais belo, o mais forte, o mais ardente
Destes sujeitos é precisamente
o mais triste, o mais pálido, o mais feio.


Euclides da Cunha



"Não gosto de contar estrelas
gosto de acendê-las"


Jota Lemos

Masai..

Os membros da tribo masai, do Quénia, pedem uma "acção urgente" para lutar contra as alterações climáticas, apresentado-se como "as primeiras vítimas" deste fenómeno apesar de pouco ou nada contribuírem para o aquecimento global.

"O meu povo não anda de 4x4, não vai de fim-de-semana, não parte de férias de avião, mas sente os efeitos das alterações climáticas", lamentou Sharon Looremetta, um masai membro de uma organização não-governamental, numa conferência de imprensa realizada à margem do encontro das Nações Unidas sobre o clima, que decorre entre os dias 6 e 17 de Novembro, em Nairobi, a capital do Quénia. "É uma enorme injustiça. Por isso, apelamos a uma acção urgente", disse Looremetta.

Os masai, que constituem uma tribo distruibuída essencialmente pelo Quénia e pela vizinha Tanzânia, "são os primeiros e os mais atingidos pelas alterações climáticas", provocadas essencialmente pelas emissões de gases com efeito de estufa, relacionadas com a combustão de energias fósseis, como o carvão e o petróleo, afirmou. "Tivemos muito pouca chuva nos últimos três anos, os animais morrem, as crianças não vão à escola, as mulheres passam a maior parte do tempo à procura de água e não estão ocupadas com actividades que permitem ganhar a vida", lamentou Looremettta. Segundo explicou, as crianças têm abandonado a escola porque "têm de andar à procura de água e de pasto" para os animais, que são o seu principal recurso.

Se há alguem com motivos para falar, estes senhores são sem duvida dos poucos com razão e moral para o fazer. A mesma razão e moral que falta a quem os devia ouvir.

Extraído do Blog The Rainbow Warrior







***
Dia Nacional da Consciência Negra

Viva ZUMBI dos Palmares!!!!!

Baraka




ALGUNS TEXTOS, LINKS de AUTO-FORMAÇÃO e TREINO de mais CONSTRUTORES da PAZ/PEACEBUILDERS

Não desistir....há muitos caminhos....muitas acções...muita esperança...menos medo também é preciso. E o silêncio é o mais terrível dos medos...denunciar....apurar a verdade....dizer e gritar ALTO não à demagogia e à democracia da humilhação....queremos democracia intensa e genuína!


Todos somos poucos...

Ao divulgares estes textos estás a participar também!! Obrigado.


1.Greenpeace and Bombspotting call for a European complaint action : Make
a complaint against the presence of nuclear weapons in Europe! Step by step instructions for making a complaint

2.
Grande acervo de links e textos sobre Peak Oil, Crises,Impactos Ambientais, Soluções Energéticas, etc...recolhidos pelo investigador Seppo Korpela, da Unversidade de Michigan

3.
Ecologia, economia e ética ,por Jean-Pierre Leroy

4.
A Rede Brasileira de Justiça Ambiental lançou um banco de dados temático muito interessante. Vale a pena ver, ler e consultar.

5.
O alto preço da paz

6.
A HERANÇA - O Mundo dos nossos Filhos , por Pedro Fontoura

7. Educação Ambiental e-learning


Agradecimentos ao Amigo João Soares, Biólogo e Editor do Blog BIOTERRA,
de onde foram retirados esses dados.



Trecho de Dreams - Akira Kurosawa -




Sêmen

Foi um sêmen plantado com meu nome nos antigos rincões da mata virgem.
A raiz, de tão dura, ninguém come, porque nela plantei a minha origem. Ensinar o caminho eu não sei. Das mil vezes que lá passei, nunca pude guardar o seu desenho. Como posso saber de onde venho, se a semente profunda não toquei?
Como posso saber a minha idade se meu tempo passado não conheço?
Se a lembrança não tem capacidade, como posso me ver desde o começo?
Se não olho pra trás com claridade, que futuro obscuro aguardarei?
Como posso saber de onde venho se a semente profunda não toquei?
Tantos povos se cruzam nessa terra, que a roleta dos genes nunca erra: o mais puro padrão é o mestiço. Como posso pensar ser brasileiro, enxergar minha própria diferença, se olhando ao redor vejo a imensa semelhança que liga o mundo inteiro?
Como posso saber quem vem primeiro, se o começo eu jamais alcançarei?
Como posso saber de onde venho se a semente profunda não toquei?


Bráulio Tavares e Siba

Site : Provocacoes




Wadubari



Os nabèbè têm marcado nas superfícies de papel tudo que aconteceu desde há muito tempo. Muito tempo existiu antes que os nabèbè soubessem os desenhos-palavras. Ninguém sabe direito o que aconteceu nesse tempo. O tempo não tem fim ou começo.

Segundo as superfícies de papel dos nabèbè, foi há menos de quinhentos anos que os primeiros deles atravessaram a água grande. É um tempo insignificante se comparado ao da existência do homem na Terra.

Os nabèbè estragaram e sujaram seu mundo. Invadiram ao mesmo tempo o mundo das pessoas que moravam deste lado da grande água. Lugar que chamam de América.

Debaixo do mesmo céu ficam mundos de pessoas diferentes. O mundo das pessoas da serra era, até quase agora, o único lugar que os nabèbè ainda não tinham esburacado e sujado.
Para as pessoas que moram na serra, parece está chegando a hora em que o céu vai cair. Os xaboribè estão mortos ou fracos de doença e fome. As àrvores que sustentam o céu estão sendo derrubadas. É o fim. Apocalipse, como dizem alguns nabèbe.

Sendo o céu o mesmo para os que são da serra e para todos os outros que são nabèbe, é de se esperar que caia de uma só vez sobre a cabeça de todos. E está cada vez mais perto a hora em que o céu será derrubado. Quase nenhum deles acredita ou pensa nisso. Enquanto isso, procuram construir armas cada vez mais mortais, coisas que aumentem seu poder sobre os outros, instrumentos cada vez mais danosos para explorar a terra e tudo que ela sustenta.

Deve existir um motivo muito forte para que os nabèbe insistam em continuar sua tarefa de destruir o mundo.

Para os nabèbe, as barras do metal amarelo valem mais que os rios, a floresta, os bichos e os próprios homens.

Assim sendo, chega o fim dos viventes na terra. Ela continuará, possivelmente, através do tempo sem fim. A não ser que terráqueos, inteligentes ou não, unam-se e descubram algo que seja bom para todos.

Por ora, somos todos testemunhas:
"Tragédia é quando não sobra ninguém..."


Nabè = Pessoa que não é Yanomami. Plural: Nabèbè

Fonte : WADUBARI
Desenho André Hewënahipitheri Yanomami (1981)

.... continua em Sobretudo




A genuína amizade humana tem por base o afeto humano, não importa qual seja nossa posição. Portanto, quanto mais nos interessarmos pelo bem-estar e pelos direitos dos outros, mais seremos um amigo autêntico. Quanto mais formos abertos e sinceros, mais benefícios acabaremos recebendo. Quem se esquece dos outros, ou não se importa com eles, acaba agindo em prejuízo próprio.


(Dalai Lama, O Livro da Sabedoria, Martins Fontes)


Passaredo - Chico Buarque