By BIOTERRA


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Gentilmente cedido pelo Biologo João Soares
editor do Blog Bioterra.
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e/ou deixem um comentário no coração.
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A mente existe no tempo,
na verdade, mente é tempo;
ela existe no passado e no futuro.
E lembre-se,
tempo consiste somente de dois modos,
o passado e o futuro.
O presente não é parte do tempo,
o presente é parte da eternidade.

foto Larry Silver

osho


Anímico

Nasceu no meu jardim
um pé de mato
que dá flor amarela.
Toda manhã vou lá
pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Tem zoada de todo jeito:
tem do grosso, do fino,
de aprendiz e de mestre.
É pata, é asas, é boca, é bico, é grão de
poeira e pólen na fogueira do sol.
Parece que a arvorinha conversa.

Adélia Prado
arte ~ Papagalia - Claudio Tozzi

Abapuru - Tarsila do Amaral
Dormências

Era uma vez o Vento semeador com uma tonelada de sementes debaixo do braço.
Destino: »» terra de chã.
Missão: »» propagar algumas, talvez uma, uma só seria suficiente.
E as sementes foram ao léu lançadas.
As da superfície, as aves do céu comeram-nas.
As demais, mais fundas, ficaram na terra, enterradas estavam. E assim foi:
milhares delas foram pasto (eram as mais rasas), repasto dos animais pequenos, que se justificaram, no “plano”, tatus, formigas, fungos e roedores, precisamos comer — diziam — e comeram.
Restaram muitas sementes, exageradas são as sementes — você já cortou ao meio um tomate, já reparou numa espiga de milho, cada um daqueles grãozinhos — são muitos —
[é um: um-um, perfeitamente um, perfeitamente vida, um, uno um-Eu, um-Tu, também pode ser. —— Quem?! ——]
que as sementes são fartas e o Vento generoso, sobram sempre muitas sementes enterradas, que o mesmo Vento tangedor de nuvens manda tanger gravetos e poeiras, e as sementes, cobertas são — prudência de protegê-las, a nível vário.
À primeira chuva, explodiram as mais apressadas, brotaram superficiais, e se esbarraram no verão calcinado e de sede sucumbiram.
Noutra chuva, outra leva nasceu, mas os pássaros ainda estavam famintos e lhes ceifaram todos os brotos.
E mais outra, e mais outra, sempre mais uma leva de sementes nasciam e sucumbiam: um raspar das enxadas, espelhava-se o chão e, no outro dia, a neblina, o orvalho, a terra, o sol, parideira forja de sol-quente-e-terra-úmida, húmus e quente, novas sementes desabrochavam intumescências.
É assim mesmo, minha amiga, a mata, a floresta, os chãos nossos de cada dia, que você, praciana, da cidade grande, imaginara melancias de máquinas japonesas de supermercado e computer; abra, por favor, sob qualquer lâmina, é fácil, atenciosamente, uma melancia vermelha e se dê conta que a “máquina do japonês”, de fabricar melancias, se máquina fosse, não teria produzido tanta semente, nem gerado casca grossa:
Não, não, o “plano”, o plano é outro!
Eis que [ in ] úteis as sementes desabrochavam: raspavam-nas à enxada; senão carícias de morte, ao tordon letal;
Eis que [ !! ] úteis as sementes desabrochavam: talvez ao gentil cordeirinho, para comer; talvez ao menino malino, para brincar.
Úteis ou inúteis, as sementes, entenda como puder, aivecas e cordeiros dão cabo de todas, nascituras “arvorezinhas”, abortadas serão, não lhes sobra ninguém.
O problema — ou a solução, ângulo de olhar, mero — é que as sementes são muitas, muitas mesmo (cinco milhões, dizem, de-cada-vez, é a do homem-semente), e finalmente, depois de muitas luas, muitas, difícil dizer quantas, o camponês se esquecera, em pousio aquelas terras deixara, talvez se mudara para a cidade grande; o cordeirinho, de há muito deslanado fora, e o menino, malino, crescera e também fugira, quando, finalmente, quando uma sementinha, bem funda, dormia espargido sono de planejada dormência: é agora, ela disse aos botões dela, e brotou velocíssima:
os pássaros momentaneamente fartos com outras bolotas, que finalmente:
fiat, fiat silva!
Algum Plano?
—— Parece!
E um único pé de assa-peixe naufragou a pastagem inteira: alqueires, ares, hectares, acres, acrósticos, apócrifos, a natureza voltou: intacta!
E aquelas palavras minhas, de século-semente, soterrada palavra quando uma sementeira foi plantada e devastada, ínvia vereda, mulher-menina: eu sei, lá debaixo, no fundo daquele canteiro, de um velho canteiro, quase caindo pelos esteios e seios, resta uma flor , que das tuas lágrimas, do teu vergel, brotará semente
:
e dos meus olhos ermos, a palmeira, o cacto

Soares Feitosa


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Plenitude


Verás o mar
E farás parte dele
Na imensidão,
No azul e no verde,
Nas ondas que vêm e vão,
Mas que no deixam de ser o que são.

Verás o céu
E farás parte dele
No infinito
No branco e no brilho,
Nas nuvens que se fazem em chuva,
Na chuva que se faz em nuvens.

Verás a terra
E farás parte dela
Na primavera,
No sinal de existir que é a espera,
Nas montanhas que se fazem em planícies,
Nas planícies que se fazem em montanhas.

Verás a ti mesmo
E não serás parte,
Serás total,
Serás mar,
Serás céu,
Serás terra,
Mas serás, antes, tu mesmo,
O principal.

(poesia do livro
"Outra Vida, Nova Chance",
de Moacir Sader)



Pescador de Ilusões
canta O Rappa

Se meus joelhos não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé, que me traga fé
Se por alguns segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol, a isca e o anzol
A isca e o anzol, a isca e o anzol
Ainda assim estarei pronto pra comemorar
Se eu me tornar menos faminto
Que curioso, que curioso
O mar escuro trará o medo lado a lado
Com os corais mais coloridos
Valeu a pena, eh eh Valeu a pena, eh eh
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões (bis)
Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final
Valeu a pena, eh eh
Valeu a pena, eh eh
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões (bis)
Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final
Valeu a pena, eh eh
Valeu a pena, eh eh
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões (bis)


A nova campanha da Fundação SOS Mata Atlântica, criada pela JWT, apresenta animais como jaguatirica, sagüi e coruja segurando uma foto de seus “familiares desaparecidos”, em paralelo ao comportamento humano. Com o título “O desmatamento separa famílias”, os anúncios partem da constatação de que a Mata Atlântica está sendo reduzida e fragmentada, formando “ilhas” isoladas de floresta. Essa situação prejudica diretamente os animais, separando e reduzindo grupos e dificultando a sobrevivência das espécies. Com criação de Sílvio Medeiros e Thiago Carvalho e direção de criação de Ricardo Chester e Roberto Fernandez, a campanha busca sensibilizar o leitor a partir de imagens significativas, relacionadas diretamente ao conceito de família, e conscientizá-lo da importância de defender os remanescentes da Mata Atlântica para garantir a qualidade de vida das pessoas e das futuras gerações.